quarta-feira, março 26, 2008

.mais concreto.

Foto: Milena Marília
Pucallpa-Peru
Março-2008

Nos entreados de concreto, estava lá.
No cinza, no escuro do cinza.
Sobrevivente, suicida. Do alto podia ver os últimos raios que ainda surgiam por tras da caixa-d'agua. Engraçado colocar água numa caixa. Como se pudesse assim, moldar, modelar, guardar, reservar, usar com cautela.
Na verdade não havia mais onde guardar, o pouco que restava do muito que estava encravado.
Decidiu naquela tarde, se jogar. Da tarde. Se jogou da tarde que estava.
Descalçou os sapatos, piscou pra aquela que lhe fez companhia, olhou para o cachorro branquinho que passou pela rua, pra senhora sentada na esquina, pro rapaz que beijou a moça na calçada, e pra igreja ao fundo ressuscitada.
Caminhou então. Sacou dela as últimas pétalas. Soprou a última formiga. Abaixou a cabeça que segurava seu corpo a muito machucado, a muito pertubado, a muito esfacelado. E em num ato atlético com duplo carpado segurou na viga de ferro que segurava o concreto.

2 Comments:

Blogger R. said...

Sinceramente, eu passei por aqui e iria embora sem comentar, porque não há bem o que dizer em palavras, coloquemos assim. Melhor ficar calado do que não ter nada de concreto pra dizer, né??
Mas gostei demais da conta! Então como fico sem falar nada??

Bjs!

1:09 PM  
Anonymous amazônida said...

...um...xero...

6:31 PM  

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